Bom, Ruim, Assim Assim
Quer saber de uma coisa? Tudo pode ser bom, ruim e
principalmente assim assim
Tudo ao mesmo tempo ou não, e não necessariamente
nessa ordem
Bom é chegar na praia à tardinha, anuncio de por de
Sol, a água de ondas mansinhas
Jogar bola na espuma e sob o céu encaixa como se fora
Tafaréu.
É bom também quando começa a chover
E as gotas fazem cócegas na superfície do mar
Como se um cardume infinito prometesse matar a fome
De todo o Vidigal, Rocinha, Cidade de Deus e Vigário
Geral.
Ruim é lembrar daquele amigo que de prancha na mão
Morreu de um beijo roubado de um raio, da lembrança a
correria,
O medo... o medo... medo é bom, ruim é o medo de ter
medo!
Bom voltar trocar chuva por chopp e passar atrás da
pelada
A bola vai pra fora e como na crônica de Rubem Braga
sobra pra você
Que mata no peito faz embaixadinha e devolve
redondo... num chute perfeito
Ruim é a fisgada na coxa sair mancando
disfarçadamente...
A vergonha de ta decadente não é ruim, ruim é o
orgulho que se nega a reconhecer a decadência.
É bom a cidade estranha em que você nunca esteve e
sabe que nunca mais vai voltar
E nesse lugar você tem uma obrigação sem graça que
cumpre com estilo e precisão
Traçando um dia perfeito no arco do tempo
Quando cai a noite é bom tomar um banho e sob o
chuveiro é bom sentir saudade,
Ruim é não ter saudade, e como é bom sair sem direção
pelas ruas da cidade
Pensando no que você fez da sua vida e no que a vida
fez em você
Bom é sonhar, realizar não é tão bom, mas ruim mesmo é
não realizar
O fim de um grande amor é muito, muito ruim, um grande
amor não tem fim!
Bom é amar, ruim é amar... Bom é encarar a vida com
fantasia.
Quando um poeta desaparece é bom colocar chapéu de
Bogar que tudo pode solucionar...
Ruim é encontrar o precipício, morrer não deve ser tão
ruim assim...
E pode ser bom falar sobre bom e ruim, e pode ser pior
assim assim ... bom!
(Pedro Bial)
Filtro Solar
Filtro solar!
Nunca deixem de usar o filtro solar
Se eu pudesse dar só uma dica sobre o futuro
seria esta: usem o filtro solar!
Os benefícios a longo prazo do uso de Filtro Solar
estão provados e comprovados pela ciência,
Já o resto de meus conselhos não tem outra base
confiável além de minha própria experiência errante.
Mas agora eu vou compartilhar esses conselhos com
vocês...
Aproveite bem, o máximo que puder, o poder e a beleza
da
juventude.
Ou, então, esquece... Você nunca vai entender mesmo o
poder e a beleza da juventude
até que tenham se apagado.
Mas pode crer que daqui a vinte anos você vai evocar
as suas fotos,
E perceber de um jeito que você nem desconfia hoje em
dia,
Quantas, tantas alternativas se escancaravam a sua
frente.
E como você realmente estava com tudo em cima,
Você não está gordo ou gorda...
Não se preocupe com o futuro.
Ou então preocupe-se, se quiser, mas saiba que
pré-ocupação é tão eficaz quanto mascar chiclete para
tentar
resolver uma
equação de álgebra.
As encrencas de verdade em sua vida tendem a vir de
coisas que nunca passaram pela sua cabeça preocupada,
E te pegam no ponto fraco às 4 da tarde de uma
terça-feira modorrenta.
Todo dia, enfrente pelo menos uma coisa que te meta
medo de verdade.
Cante.
Não seja leviano com o coração dos outros.
Não ature gente de coração leviano.
Use fio dental.
Não perca tempo com inveja.
Às vezes se está por cima,
às vezes por baixo.
A peleja é longa e, no fim,
é só você contra você mesmo.
Não esqueça os elogios que receber.
Esqueça as ofensas.
Se conseguir isso, me ensine.
Guarde as antigas cartas de amor.
Jogue fora os extratos bancários velhos.
Estique-se.
Não se sinta culpado por não saber o que fazer da
vida
As pessoas mais interessantes que eu conheço não
sabiam, aos
vinte e dois
o que queriam fazer da vida.
Alguns dos quarentões mais interessantes que eu
conheço ainda
não sabem.
Tome bastante cálcio.
Seja cuidadoso com os joelhos.
Você vai sentir falta deles.
Talvez você case, talvez não.
Talvez tenha filhos, talvez não.
Talvez se divorcie aos quarenta, talvez dance ciranda
em suas
bodas de diamante.
Faça o que fizer não se auto congratule demais, nem
seja severo demais com você,
As suas escolhas tem sempre metade das chances de dar
certo,
É assim para todo mundo.
Desfrute de seu corpo use-o de toda maneira que puder,
mesmo!!
Não tenha medo de seu corpo ou do que as outras
pessoas possam achar dele,
É o mais incrível instrumento que você jamais vai
possuir.
Dance.
Mesmo que não tenha aonde além de seu próprio quarto.
Leia as instruções mesmo que não vá segui-las depois.
Não leia revistas de beleza, elas só vão fazer você se
achar feio
Refrão: Brother and Sister
Together we'll make it trough
Someday a spirit will take you
And guide you there
I know you've be hurting
But I've been waiting to be there for you
And I'll be there just helping you out
Whenever I can
Dedique-se a conhecer seus pais. É impossível prever
quando eles
terão ido embora, de vez.
Seja legal com seus irmãos. Eles são a melhor ponte
com o seu
passado e
possivelmente quem vai sempre mesmo te apoiar no
futuro.
Entenda que amigos vão e vem, mas nunca abra mão de
uns
poucos e bons.
Esforce-se de verdade para diminuir as distâncias
geográficas e de estilos de vida, porque quanto mais
velho você ficar,
Mais você vai precisar das pessoas que você conheceu
quando jovem.
More uma vez em Nova York, mas vá embora antes de
endurecer.
More uma vez no Havaí, mas se mande antes de
amolecer.
Viaje.
Aceite certas verdades inescapáveis:
Os preços vão subir, os políticos vão saracotear, você
também vai envelhecer.
E quando isso acontecer você vai fantasiar que quando
era jovem os preços eram razoáveis, os políticos eram
decentes,
E as crianças respeitavam os mais velhos.
Respeite os mais velhos!!
E não espere que ninguém segure a sua barra.
Talvez você arrume uma boa aposentadoria privada.
Talvez você case com um bom partido, mas não esqueça
que um dos dois de repente pode acabar.
Não mexa demais nos cabelos se não quando você chegar
aos 40 vai aparentar 85.
Cuidado com os conselhos que comprar,
mas seja paciente com aqueles que os oferecem.
Conselho é uma forma de nostalgia.
Compartilhar conselhos é um jeito de pescar o passado
do lixo,
esfregá-lo,
repintar as partes feias e reciclar tudo por mais do
que vale.

(Pedro Bial Tim Cox - Nigel Swatson)
palavras Ao Vento
A primeira letra do alfabeto é também a primeira letra
da palavra amor e se acha importantíssima por isso!
Com A se escreve "arrependimento" que é uma inútil
vontade de pedir ao tempo para voltar atrás e com A se
dá o tipo de tchau mais triste que existe: "adeus"...
Ah, é com A que se faz "abracadabra", palavra que se
diz capaz de transformar sapo em príncipe e
vice-versa...
Com B se diz "belo" - que é tudo que faz os olhos
pensarem ser coração; e se dá a "bênção", um sim que
pretende dar sorte.
Com C, "calendário", que é onde moram os dias e o
"carnaval", esta oportunidade praticamente obrigatória
de ser feliz com data marcada. "Civilizado" é quem já
aprendeu a cantar ´parabéns pra você` e sabe o que é
"contrato": "você isso, eu aquilo, com assinatura
embaixo".
Com D, se chega à "dedução", o caminho entre o "se" e
o "então"... Com D começa "defeito", que é cada
pedacinho que falta para se chegar à perfeição e se
pede "desculpa", uma palavra que pretende ser beijo.
E tem o E de "efêmero", quando o eterno passa logo; de
"escuridão", que é o resto da noite, se alguém recortar
as estrelas; e "emoção", um tango que ainda não foi
feito. E tem também "eba!", uma forma de agradecimento
muito utilizada por quem ganhou um pirulito, por
exemplo...
F é para "fantasia", qualquer tipo de "já pensou se
fosse assim?"; "fábula", uma história que poderia ter
acontecido de verdade, se a verdade fosse um pouco
mais maluca; e "fé", que é toda certeza que dispensa
provas.
A sétima letra do alfabeto é G, que fica irritadíssima
quando a confundem com o J. G, de "grade", que serve
para prender todo mundo - uns dentro, outros fora; G
de "goleiro", alguém em quem se pode botar a culpa do
gol; G de "gente": carne, osso, alma e sentimento,
tudo isso ao mesmo tempo.
Depois vem o H de "história": quando todas as palavras
do dicionário ficam à disposição de quem quiser contar
qualquer coisa que tenha acontecido ou sido
inventada.
O I de "idade", aquilo que você tem certeza que vai
ganhar de aniversário, queira ou não queira.
J de "janela!, por onde entra tudo que é lá fora e de
"jasmim", que tem a sorte de ser flor e ainda tem a
graça de se chamar assim.
L de "lá", onde a gente fica pensando se está melhor
ou pior do que aqui; de "lágrima", sumo que sai pelos
olhos quando se espreme o coração, e de "loucura",
coisa que quem não tem só pode ser completamente
louco.
M de "madrugada", quando vivem os sonhos...
N de "noiva", moça que geralmente usa branco por fora
e vermelho por dentro.
O de "óbvio", não precisa explicar...
P de "pecado", algo que os homens inventaram e então
inventaram que foi Deus que inventou.
Q, tudo que tem um não sei quê de não sei quê.
E R, de "rebolar", o que se tem que fazer pra chegar
lá.
S é de "sagrado", tudo o que combina com uma cantata
de Bach; de "segredo", aquilo que você está louco pra
contar; de "sexo": quando o beijo é maior que a boca.
T é de "talvez", resposta melhor que ´não`, uma vez
que ainda deixa, meio bamba, uma esperança... de
"tanto", um muito que até ficou tonto... de
"testemunha": quem por sorte ou por azar, não estava
em outro lugar.
U de "ui", um ài" que ainda é arrepio; de "último",
que anuncia o começo de outra coisa; e de "único":
tudo que, pela facilidade de virar nenhum, pede
cuidado.
Vem o V, de "vazio", um termo injusto com a palavra
nada; de "volúvel", uma pessoa que ora quer o que
quer, ora quer o que querem que ela queira.
E chegamos ao X, uma incógnita... X de "xingamento",
que é uma palavra ou frase destinada a acabar com a
alegria de alguém; e de "xô", única palavra do
dicionário das aves traduzida para o português.
Z é a última letra do alfabeto, que alcançou a glória
quando foi usada pelo Zorro... Z de "zaga", algo que
serve para o goleiro não se sentir o único culpado; de
"zebra", quando você esperava liso e veio listrado; e
de "zíper", fecho que precisa de um bom motivo pra ser
aberto; e de "zureta", que é como fica a cabeça da
gente ao final de um dicionário inteiro.
(Lázaro Ramos)

Mude

Mude. Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa. Mais tarde, mude de mesa. Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua. Depois, mude de caminho, ande por outras ruas, calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa. Tome outros ônibus. Mude por uns tempos o estilo das roupas. Dê os teus sapatos velhos. Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira pra passear livremente na praia, ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos. Veja o mundo de outras perspectivas. Abra e feche as gavetas e portas com a mão esquerda. Durma do outro lado da cama... depois, procure dormir em outras camas. Assista a outros programas de TV, compre outros jornais... leia outros livros. Viva outros romances. Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Durma mais tarde. Durma mais cedo. Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua. Corrija a postura. Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes, novos temperos, novas cores, novas delícias. Tente o novo todo dia, o novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor, a nova vida. Tente. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. Almoce em outros locais, vá a outros restaurantes, tome outro tipo de bebida, compre pão em outra padaria. Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa. Escolha outro mercado... outra marca de sabonete, outro creme dental... tome banho em novos horários. Use canetas de outras cores Vá passear em outros lugares. Ame muito, cada vez mais, de modos diferentes. Troque de bolsa, de carteira, de malas, troque de carro, compre novos óculos, escrevas outras poesias. Jogue fora os velhos relógios, quebre delicadamente esses horrorosos despertadores. Abra conta em outro banco. Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros, outros teatros, visite novos museus. Mude. Lembre-se que a vida é uma só. E pense seriamente em arrumar um novo emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais light, mais prazeroso, mais digno, mais humano. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. Experimente coisas novas. Troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez. Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores do que as já conhecidas. Mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda! (Simone Spoladore)

Mães

Mães, geralmente é a vocês que cabe a educação dos filhos, sobretudo no capítulo modos à mesa, arrumação do quarto etc. Não sejam preguiçosas! É mais fácil fazer que ensinar. Mas tenham coragem, ensinem. E comecem cedo para que os bons hábitos se tornem uma segunda natureza e não um procedimento para se ter só na frente das visitas. Seja rigorosa! Eles vão te odiar às vezes. Você vai querer esganá-los freqüentemente. Faz parte entre as pessoas que se amam. Mas um belo dia alguém vai dizer o quanto seu filho é educado, prestativo, gentil, querido. Você vai desmaiar de surpresa e felicidade. Eu nunca me esqueço daquela história da mãe que se dirigiu a uma especialista em boas maneiras para saber com que idade ela deveria colocar seu filho no curso. Ao saber que o filho estava com três meses de idade ela respondeu: "Mas talvez já seja muito tarde!". Não morra de vergonha se seu filho der um vexame na frente dos seus amigos. Não valorize os erros nem dê bronca em público. Nunca trate a criança com se ela fosse uma débil mental, elas entendem tudo! Use sempre um bom vocabulário. Isso aumenta a capacidade lingüística das crianças e não fique para morrer de culpa se algum dia precisar frustrar seu filho, tipo promessa que não pode ser cumprida, etc. Apesar do que dizem os especialistas, uma frustraçãozinha de vez em quando prepara a criança para aprender a suportá-las quando no decorrer da vida elas infelizmente acontecerem. O palavrão. É dito por todos. Até em televisão, escrito nos jornais, etc. Pretender que uma criança não repita é puro delírio. Vamos moderar. Mas a regra de ouro seria: palavrão na linguagem corriqueira uma coisa, mas não pode ser usado jamais na hora da raiva, da briga. Isso vale também para os adultos. Ensinem, obriguem seus filhos a cuidarem da bagunça que fazem. O copo de Coca-Cola? De volta pra cozinha. A revistinha que acabou de ler? Para o quarto. Os milhares de papeizinhos de Bis? Amassar e jogar no cinzeiro. A lista não tem fim porque a imaginação de uma criança para instalar o caos onde quer que esteja é também infinita. Alguns mandamentos: Não sair pra se servir correndo na frente dos outros. O ideal, aliás, seria que as crianças até certa idade fizessem as refeições antes dos adultos, com as mães ali ao lado, patrulhando as boas maneiras. Não deixar cair um grão sequer na mesa. Não encher demais o prato. Há fome no mundo, etc, etc... Se encher que coma tudo. A partir dos cinco anos, não cortar a carne toda de uma vez. Cinco? Talvez eu tenho exagerado. Sete. Não misturar carne com peixe. Macarrão com farofa, etc. isso é cultura. Pedir licença pra se levantar quando a refeição terminar, pode alegar que precisa estudar, para evitar aquela tortura de ficar na mesa até a hora do café. Um suplício. Não bater a porta do quarto com estrondo nem quando brigar com o irmão. Só gritar se for por mordida de cobra. Ou ficar mudo ou estático dentro do elevador. Não chamar a amiga da mãe de tia. Alias não chamar ninguém de tia a não ser as tias de verdade. E só pra deixar bem claro: tia Rosina, tia Helena, nunca tia só. Eu adoro bebes! Quando começa a idade da correria, eu confesso que já adoro um pouco menos. Eu tenho que dizer isso bem baixinho pra não ofender as mães. Vamos então falar dessa fase sublime: Elas gostam de passar no espaço de quinze centímetros que existe entre o sofá e a mesa, brincam de pique numa sala de dois por três. Colocam a cadeira na frente da televisão, se penduram nos lustres, pintam as paredes da sala, o teto e etc, etc e tudo aos gritos. Eu penso que esta talvez seja a fase de maior energia do ser humano. Ah, é a idade das guerras de travesseiros, das almofadas que voam pela janela. Jovens pais adoram essas traquinagens. Tudo bem. Mas não ache tão estranho se alguns de seus amigos não curtirem tanto quanto você essa fase tão adorável dos seus filhotes. Crianças são difíceis mesmo, é preciso muita paciência pra agüentar o que elas freqüentemente aprontam. Mas as crianças crescem, e um dia querem trazer a namorada pra dormir em casa. Dinheiro para o Motel só se você der. Então o que fazer? Claro, a gente compreende a situação mas francamente, ter que cruzar no corredor com a gatona despenteada de camiseta e escova de dente na mão talvez perguntando: "Tia, dá pra me emprestar uma escova de cabelo?" OK, dá. Mas e se você tem três filhos? Vão ser três gatonas? Acho que eu liberaria a casa nos fins de semana e iria dormir no sofá da casa da minha mãe, de um amigo, no banco da praia, deixando a garotada à vontade. Eles e eu numa boa. Mas só ate domingo às dezenove horas, nem um minuto a mais. Mesmo os filhos mais modernos costumam ser caretésemos em relação as suas próprias mães. Portanto, vá anotando, na frente dos filhos: Mãe não namora, não toma mais de um drink, não fala que acha o Jeff Bridge um tesão. Perdão! Mãe não pronuncia essa palavra. Nem sabe o que quer dizer. Não usa mini-saia, não pode adorar Madona, só pode gostar de Roberto Carlos, Julio Iglesias. Eles te amam, mas essas preferências sempre incomodam. Nem amigos comuns se deve ter por precaução. Portanto quando o destino colocar vocês na mesma festa, pareça o que eles querem que você seja, anule-se. Tenha pouca, pouquíssima personalidade. Faça o tipo distinto e alegre, se possível, use uma peruca grisalha. Seja discreta e assexuada, tenha poucas opiniões, se enturme com os mais velhos e trate os mais jovens como se fosse assim uma tia simpaticona, nada mais. Ria das historias deles e não conte nenhuma sua. Mãe não tem passado. Só fale de receitas, crianças, se ofereça pra levar um vestido na costureira pra consertar, tenha bons endereços pra fornecer. Dicas de cozinha, conte como era o mundo do seu tempo, seus filhos vão adorar e depois dessa festa, vá correndo tomar um whisk duplo no bar do Bonju pra não ter um enfarte. Em compensação, na frente dos netos, faça tudo que não deve e muito mais! Netos costumam adorar avós, digamos, fora dos padrões. É que eles sabem que vão poder contar com elas como fortes aliadas nas crises de caretice dos pais. Cruel? Não... apenas verdade. E mais: Isso é que faz o Equilíbrio da Vida. (fernanda montenegro)

..::Nobre Melodia::...

Estava eu andando entre mortos
Perdida num campo de negras rosas
Ferida por alguns espinhos, derramava meu sangue
Sentia meu espírito me deixar alguns instantes

Sentei-me então perto à maior lápide
Ouvi sussurros do vento
Quebravam aquele silêncio
Harmoniavam aquele momento

E naquela nobre melodia
Confusa, eu me perdia
Negras sombras já estavam a me envolver
E meu coração, eu nem sentia mais bater

E num momento repentino
Já era finito meu desatino
Meu coração já voltava a doer
E as sombras começavam a desaparecer

Com o tempo, já não ouvia mais o vento
Dentro de mim, gritavam meus lamentos
E novamente..
Estava eu andando entre mortos
Perdida num campo de negras rosas


--†--Sentimento calado--†--


Tudo voltou ao normal,
Novamente a tristeza que antes disfarçava
Agora se expulsa de meu ser, abalada
Como posso Ter todo esse mal?
Esse mal de fixar meu pensamento em uma só coisa
Em uma só lembrança, em uma só pessoa
Estou morrendo pouco a pouco...Quero gritar!
E essa dor incessante de meu peito retirar,
Dor que está despedaçando meu coração.
Estou me perdendo novamente
Na melancolia e na escuridão de minha mente
Onde só existe arrependimento e vontade
Vontade de te pedir perdão e te ver feliz
E arrependimento de Ter feito o que fiz
Mas, te ver feliz seria com sua outra metade
Não eu... Não quero lágrimas ao meu peito
E sim um sorriso direito.
Por mais que eu tenha certeza
De que nunca mais terei ao meu lado sua beleza
Ainda teimo em continuar nessa eterna tristeza
Ferindo-me neste amor roubado,
Desse Sentimento calado.
--††-Na noite sou livre-††--

No vazio de toda noite
Me sinto tão livre, tão liberta
Não preciso mais daquela foice
Agora estou com a mente aberta.

A lua em silêncio me observa
A brisa leve toca meu rosto
Esse é o paraíso que me reserva
A parte de minha vida que tenho gosto.

É nesse maravilhoso momento do dia
Que desperto meu ser escondido
Me livro de toda melancolia
E me entrego ao sentimento proibido.

Quando o dia volta a raiar
Começo de novo a ver rostos
Rostos que gostam de enganar
Com suas falsidades e injúrias que dão desgosto.

Por isso prefiro a noite perambular
Pois assim não haverão rostos com os quais odiar
Minhas mãos
Minhas mãos não podem te ter,
Não posso sentir mais essa alegria,
Que você me proporciona
Minha vida não será a mesma
Sem você aqui nos meus braços,
Deixe-me cuidar de você,
Há perigos que te afligem,
Seja compreensiva,
Não há quem te desejas mais do que eu,
Volte aqui e agarre meus braços,
Não posso tela novamente?
Se puder, volte a mim,
Você é quem mais desejo,
Minha jóia mais valiosa,
Volte a mim,
Não me abandone
Tenho medo das trevas me consumir,
Só você pode me curar,
Proteja-me,
Seu leito de alegria me inveja
Tendo você em mim,
Não serei engolida pelo medo,
Minhas entranhas não suportam essa dor
Você é a cura,
Você me ajudará,
Não espere acabar o tempo,
Ajude-me,
Não conseguirei viver sem ti,
Ó querida liberdade.
lágrimas depressivas
lágrimas depressivas

É assim todo o dia
O sol clareia brando
A lua suaviza meu pranto
Medito sobre minha vida vazia

Lágrimas de suplício
Lágrimas geladas...
Lágrimas desperdiçadas...
Tentando aliviar meu martírio

E eu odeio tudo isso
Odeio sentir essa tortura
Ser seguida por essa amargura
Até já tentei suicídio

Minha lamúria
Meu terror que queima minha alma
Minha mortificação que não me deixa ter calma
Minha eterna fúria

Lágrimas...
Lágrimas de dor
Lágrimas sem amor
Mágoas...

Tentei me afogar
Nessa lamentação inútil
Nesse lamento fútil
Na bruma que disfarça o mar

Mas isso não me protegeu
Só me trouxe mais aflição
Só trouxe minha crucificação
Mas isso não me abateu

Pois, assim como eu
Nesse mundo profano
Sufocado nesse desejo insano
Muita gente morreu...

Nessa imortal depressão
Rosa do cemitério
Oh Rosa do cemitério
Onde enterraste meu coração
Estas ao lado de teu sepulto?

Oh Girassol sem sol
Permita-me ficar sobrio diante de tua rosa
Conseguirei ficar sobrio diante desta flor?

Rosa amo-te na imensidão de minha existência,
Na inabalável dualidade da nossa união
Horas providos e desprovidos de paz

Girassol, cujo eclipse confunde-lhe
serei dono de tua rosa no cemiterio
Desse modo, creio eu que obtenha teu coração

(Julio César Artuzo R./Mariana Lourenço Maximo dos Santos)
A pequena morte

Não nos provoca riso o amor quando chega ao mais profundo de sua viagem, ao mais alto de seu vôo: no mais profundo, no mais alto, nos arranca gemidos e suspiros, vozes de dor, embora seja dor jubilosa, e pensando bem não há nada de estranho nisso, porque nascer é uma alegria que dói. Pequena morte, chamam na França, a culminação do abraço, que ao quebrar-nos faz por juntar-nos, e perdendo-nos faz por nos encontrar e acabando conosco nos principia. Pequena morte, dizem; mas grande, muito grande haverá de ser, se ao nos matar nos nasce.


Eduardo Galeano
O Nascimento do prazer (trecho)
O prazer nascendo dói tanto no peito que se prefere sentir a habituada dor ao insólito prazer. A alegria verdadeira não tem explicação possível, não tem a possibilidade de ser compreendida - e se parece com o início de uma perdição irrecuperável. Esse fundir-se total é insuportavelmente bom - como se a morte fosse o nosso bem maior e final, só que não é a morte, é a vida incomensurável que chega a se parecer com a grandeza da morte. Deve-se deixar-se inundar pela alegria aos poucos - pois é a vida nascendo. E quem não tiver força, que antes cubra cada nervo com uma película protetora, com uma película de morte para poder tolerar a vida. Essa película pode consistir em qualquer ato formal protetor, em qualquer silêncio ou em várias palavras sem sentido. Pois o prazer não é de se brincar com ele. Ele e nós.



Clarice Lispector

... "Saudades..."

Saudades! Sim... talvez... e porque não?... Se o nosso sonho foi tão alto e forte. Que bem pensara vê-lo até à morte, Deslumbrar-me de luz o coração! Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão! Que tudo isso, Amor, nos não importe. Se ele deixou beleza que conforte, Deve-nos ser sagrado como pão! Quantas vezes, Amor, já te esqueci, Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti! E quem dera que fosse sempre assim: Quanto menos quisesse recordar, Mais a saudade andasse presa a mim! ...(( Florbela Espanca)) ... " ஜ

“” Conto de fadas “”

Eu trago-te nas mãos o esquecimento Das horas más que tens vivido, Amor! E para as tuas chagas o ungüento Com que sarei a minha própria dor. Os meus gestos são ondas de Sorrento... Trago no nome as letras duma flor... Foi dos meus olhos garços que um pintor Tirou a luz para pintar o vento... Dou-te o que tenho: o astro que dormita, O manto dos crepúsculos da tarde, O sol que é de oiro, a onda que palpita. Dou-te, comigo, o mundo que Deus fez! Eu sou Aquela de quem tens saudade, A princesa de conto: "Era uma vez..." ...((Florbela Espanca))...

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Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, ITAQUERA, Mulher, de 12 a 15 anos, Portuguese, French, Música, Viagens, estudo
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